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18/01/2008
Fã número 1
Vivienne Westwood, como vocês sabem, está aqui em São Paulo. E como vocês devem saber também, eu sou tipo fã dela - e olha que eu não sou de cultuar ídolos. A mentora do punk, hoje Dame Westwood, é uma das pessoas mais autênticas que eu já conheci. Nos conhecemos no Brasil, em 1991, quando ela veio pela primeira vez e fez um desfile incrível no Anhembi.
Depois disso, morei em Londres, onde pude conviver com ela e acompanhar melhor seu trabalho, e nos encontramos religiosamente duas vezes por ano em Paris, durante os desfiles de prêt-à-porter.
Quando escrevi meu livro "Pelo Mundo da Moda - Criadores, Grifes e Modelos", a editora Senac me sugeriu que eu pedisse a um estilista para escrever o prefácio. O primeiro nome que me veio à cabeça foi o de Vivienne, porque ela é uma das poucas pessoas que têm um reflexão verdadeira sobre moda, comportamento e atitude. E ela, apesar dos 66 anos, continua transgressora, rebelde e inovadora.
Ontem ela abriu a exposição Shoes, aqui na Bienal. Imperdível! Passeamos pela exposição e, através dos sapatos criados por ela desde os anos 70, ela foi contando histórias deliciosas sobre sua vida, a moda etc. E me disse que a mãe dela, que está com 92 anos, continua cheia de energia e que ela é companhia mais frequente de Andreas (marido de Vivienne, 25 anos mais jovem que ela) no pub das sextas-feiras. Figura, né!
E na entrevista coletiva Vivienne contou histórias ótimas também. Deu seu apoio público ao candidato democrata Barak Obama, falou que os ricos não podem se vestir como se fossem pobres, mas também não precisam gastar mais do devem. Moral da história: compre menos e gaste melhor, invista em qualidade. Ela, aliás, disse que quer mais é fazer menos e melhor.
Hoje a Vivienne promove uma performance aqui no MAM para ler seu Manifesto Resistência Ativa à Propaganda. Estou curiosa pra ver o resultado. Não vejo happenings assim há anos.
E mais: como uma boa representante de seu país, ela chegou pontualmente ao meio-dia. O vestido de renda pele contrastava com um boton e um colar de pingente de caveirinha.
Apesar de ter entrevistado Vivienne várias vezes, continuo tiete e recebê-la aqui em São Paulo é uma emoção ainda maior.
Fiz uma homenagem pessoal a Vivienne: usei um corselet preto de sua marca que comprei no início dos anos 90. Como o decote é generoso, coloquei uma regata por baixo, porque apesar da emoção de recebê-la, não poderia ousar tanto em plena maratona de trabalho.
A entrevista com ela vai ao ar no GNT Fashion de sábado.
Após a entrevistas fomos para o porão das artes da Bienal onde aconteceu a coletiva de imprensa. Entre tantas perguntas a que ela mais se animou em responder foi a sobre a eleição americana e explicitou o desejo que o candidato Barak Obama vença. Vivienne repudia a política externa dos Estados Unidos.
E fique ligado porque o GNT vai realizar uma promoção que vai dar como prêmio uma shopping bag autografada especialmente por Vivienne Westwood, contendo o meu livro "Pelo Mundo da Moda", devidamente autografado também. Serão três vencedores! Mais informações em breve no www.gnt.com.br.
 Com o marido de Vivienne, o designer Andreas Kronthaler
 Entrevistando Vivienne
 Na exposição "Shoes"
Fotos Laura Artigas
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17/01/2008
Passaporte
Eu e todo mundo estávamos esperando a fofa da Irina Lazareanu, que ia ser exclusiva do desfile do Alexandre Herchcovitch. Como romena, ela precisaria de visto e simplesmente não tinha folha sobrando no passaporte dela! Segundo o Alê, eles tentaram ainda um novo passaporte, via Canadá, acionaram a embaixada do Brasil mas, na corrida contra o tempo, acabaram perdendo. Vamos então como vai ser a performance da Coco Rocha, que é canadense e dança super, daqui a pouquinho na Zoomp. Até já!
 Coco Rocha no backstage da Zoomp
Fotos Pedro Tolfo
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Mil desculpas!
Ontem, quando eu saí daqui pra lá de meia-noite, depois de uma hora ao vivo com o GNT Fashion, me toquei que não tinha postado o texto do primeiro dia. Então aí vai:
Primeiro dia de São Paulo Fashion Week. Comecei na correria ainda maior porque hoje tem programa ao vivo.
Uma enorme torre de Babel montada no primeiro andar ilustra o tema do evento que, nesta temporada, aborda a metrópole e sua diversidade. As paredes, como nos outros anos, estão forradas de caixas de papelão - algumas reaproveitadas das edições anteriores. Apesar da mudança de tema, o evento continua com a preocupação da sustentabilidade.
 Torre de Babel em meio ao Prédio da Bienal
Acabei de voltar do desfile do Fause Haten, que fez dois desfiles em um – eu gosto mais da parte folk mexicana. De manhã fomos ao desfile da Forum que aconteceu na casa do próprio Tufi Duek, em clima de rosas. A idéia é boa, a rosa foi feita pelo querido Paulo Von Poser, mas precisava fazer aquela última entrada com a moça-buquê?
Dudu Bertholini e Rita Comparato começaram bem na passarela da Cori. A dupla colorida de estilistas, que tem a marca Neon, trouxe um olhar contemporâneo para a alfaiataria desta marca – a única de 50 anos desfilando no SPFW!
Logo em seguida teve a sempre aguardada coleção de Alexandre Herchcovitch. Se o último verão era drama puro e paixão na veia, o próximo inverno de Alê é milimetricamente racional, com modelagem sofisticada. As peças são construídas com pedaços de triângulos, retângulos, círculos. Algumas, como a capinha de astracã, são um cubinho ou uma bola. Gosto do jogo de cores, da brincadeira das listras e do alvo, em boa palha de seda.
A Patricia Viera sempre me emociona com seu toque de Midas no couro. Que peças lindas de mosaico!
Mostrei ao vivo o desfile da Osklen. Fiquei feliz porque é um desfile fresh, com styling sofisticado sem perder o pé da rua. Oskar, que é um Jet-setter, sempre viajou muito. Mas no último ano, trocou um pouco seus destinos exóticos por grandes metrópoles, onde ele aliás abriu lojas: Nova York, Milão, Roma e Tóquio. As luzes da cidade viraram listras na coleção, em malhas gostosas. Embora nesta temporada a sustentabilidade não esteja rendendo muito assunto, Oskar está investindo no desenvolvimento do couro vegetal – um couro que não é nada fácil de trabalhar mas que já mostra uma evolução nesta coleção.
Agora eu vou correr para encontrar a grande dama da moda mundial Vivienne Westwood. Nos conhecemos há muitos anos e ela faz participação especial aqui no São Paulo Fashion Week.
Te conto tudo daqui a pouco!
Até já!
 A entrevista com Vivienne Westwood vai ao ar no GNT Fashion - Edição de Luxo, no sábado, às 22h
Fotos Pedro Tolfo
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12/01/2008
A Cidada Maravilhosa e seus bastidores

É fim de tarde e acabo de sair do desfile da Rita Wainer. É a primeira edição em que a Rita assina sua coleção. Antes, sua marca registrada era a Theodora.
Hoje o dia foi tranqüilo. Não teve desfile na parte da manhã, então tomei café na Confeitaria Colombo, no Forte de Copacabana. O lugar é maravilhoso. Tem uma vista impagável.
Daqui a pouco, às 22h, receberei dois colegas no estúdio do GNT Fashion: Lula Rodrigues, jornalista especializado em moda masculina, e Felipe Veloso, stylist. Além de comentarmos o desfile da Alessa, falaremos sobre manias de backstage e sobre o que se deve levar numa bolsa de praia.

Vocês também vão assistir a entrevista que fiz ontem com Lázaro Ramos e Taís Araújo. Eles desfilaram pela grife TNG. Conversamos sobre moto, moda e velocidade.
Não percam o programa. Me despeço da cidade maravilhosa e volto a conversar com vocês durante o São Paulo Fashion Week.
Fotos Miquéia Motta (backstage) e Ricardo Lage (Lilian Pacce)
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Álbum de fotos
No último dia do Fashion Rio, vale um making of do que a equipe do GNT Fashion aprontou nesses seis dias de cobertura. Miquéias Motta registrou tudo nos nossos bastidores. Dá uma olhada.

No backstage da TNG, entrevista com o casal Taís Araújo, do Superbonita, e Lázaro Ramos

Nosso câmera em ação na primeira fila

Na pláteia do desfile da TNG

Patrícia Rubano, nossa diretora

Equipe a postos

Retocar o batom é preciso

Todos "contra" um

O Rio e a produtora Joana Mendes, no reflexo

Calma, o Fashion Rio acaba hoje, mas não se desespere: SPFW já começa na próxima quarta
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11/01/2008
O melhor desfile

Hoje é o penúltimo dia do evento. Mesmo sabendo que ainda temos alguns desfiles pela frente, afirmo que o melhor desfile do Fashion Rio foi o da Redley. Impecável em todos os sentidos. Locação, styling, trilha sonora, casting, enfim, tudo. A Redley se colocou acima da média do evento. Vai ser bem difícil superá-la. Me senti assistindo a um desfile em Nova York.
Fora isso, hoje conversei com a estilista Alessa Migani, que me antecipou algumas informações sobre seu desfile, que será transmitido amanhã, às 22h, por mim, ao vivo. A coleção brinca com "primeiro as damas". O cenário será um castelo de cartas, e o desfile será conciso, com a apresentação de 25 looks.
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10/01/2008
A Cara do Rio
Tem duas marcas que são a cara do Rio: a Maria Bonita Extra e a Sta. Ephigênia. Por motivos diferentes, as duas estão com novidades nesta edição. Na MBE, vimos a estréia de Ana Magalhães, substituindo a Andréa Marques, que praticamente criou a cara da marca. Na Sta. Ephigênia, o Luciano assumiu solo, depois da morte do sócio Marco Maia. As duas marcas entram bem nessa nova fase.

A Maria Bonitinha (foto acima) explorou bem as marcas registradas da grife, como os laços, o shape menininha, os vestidos trapézio, as formas femininas delicadas que são para meninas mas que dá para a mulher de verdade usar. Gostei muito dos sapatos, como o masculino de golfe, baixo, bicolor de verniz (brilho) e couro (opaco) e também o modelo de salto meia-pata.

Na Sta. Ephigênia (foto acima), eu admiro essa capacidade de resgatar a elegência clássica carioca. O sapato que combina com a carteira que combina com o colar. O Luciano usa a cor turquesa com uma propriedade incrível. Gosto da estampa floral. Foi bem.Sem contar o cenário maravilhoso do Jockey Club da Gávea. O Rio, aliás, tem essa coisa: é um cenário! Basta olhar pela janela. Fotos Agência Fotosite
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Filhotes de Isabela Capeto
Estou gostando bastante desses filhotes de Isabela Capeto que surgiram nessa edição. Essa turma que valoriza um trabalho artesanal, que sabe agregar valor a essas mãos de fadas das bordadeiras que temos no Brasil.

Nessa categoria, vale destacar a estréia da Apoena (foto acima) , marca que até outro dia era mais associada à ONG Proeza, que trabalha com costureiras de comunidades da periferia de Brasília. Para um primeiro desfile, a grife mandou muito bem. Soube aproveitar formas clássicas e deixou o foco no bordado. Claro que ainda é o começo e tem que prestar mais atenção em acabamento e corte, mas tem potencial.

O estilista Melk Z-Da (foto acima) , de Recife, faz um bom trabalho de tingimentos, de tratamento de tecidos e de bordados. É importante valorizar não só a mão-de-obra, mas o olho que consegue criar em cima de técnicas tão antigas, como o bordado de linha. Ele é um menino bastante talentoso.
Fotos Agência Fotosite
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Pra sempre Gisele?

Todo mundo me pergunta o que eu achei da Gisele na Colcci e se ainda vale a pena ter a top na passarela. Vale a pena. O problema é que a fórmula está desgastada. Repetir o mesmo esquema sete vezes, nem a Gisele resiste.
O agravante dessa vez foi o fato de o desfile ter demorado muito. Em média, um desfile dura 10 minutos e esse teve 22. A qualidade das roupas não mudou, mas a duração do desfile permitiu que até quem não tem um olhar aguçado para roupas pudesse perceber os pequenos problemas. Muita gente comentou que as roupas estavam piores. Pelo contrário, estavam melhores do que no verão. Mas as pessoas tiveram chance de ver com calma detalhes de acabamento e perceberam que não é uma roupa de grande qualidade.
A passarela (uma esteira circular) também não ajudou e havia pouca modelo. Com mais 10 modelos na passarela, você olha pra um, olha pra outro e pronto, a roupa vai embora. Um dos segredos da moda é esse timing.
Gisele é sempre bom, mas não dá pra achar que ela é a salvação da lavoura sempre.
Foto Ricardo Lage
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08/01/2008
Olá pessoal.

Estou no Copacabana Palace enquanto mando esse recadinho para vocês. A riqueza e a beleza histórica do local, que dispensa comentários, foi o que inspirou Victor Dzenk no lançamento de sua nova coleção.
O desfile se dividiu em três etapas. Ele começou com o preto e o branco, usando Marlene Dietrich como inspiração e abusando da pequena transgressão sexual que ela simboliza. Na segunda fase, entraram as plumas, representando os tempos áureos do carnaval. Por fim, o rock dos Rolling Stones, que marcaram presença no hotel quando vieram tocar numa das praias mais famosas do mundo.
Os três blocos trouxeram muita informação e isso comprometeu o resultado final. Diria que a apresentação da coleção ficou um pouco “over”. Mesmo assim, foi um bom desfile. Victor sinaliza peças que de fato serão marcantes no próximo inverno: sapatos Oxford e jaquetas estilo motoqueiro.
Hoje à noite ainda tem o desfile da Colcci com a super Gisele Bündchen, encerrando a programação do dia. Vou entrevistá-la mais tarde e assim que puder, conto como foi o papo.
Foto Ricardo Lage
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Moda na prática, na alma, na pele: aqui você vai acompanhar o dia-a-dia e as opiniões da nossa super editora de moda e apresentadora do GNT Fashion na cobertura da temporada brasileira de moda inverno 2008.
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